sexta-feira, 18 de junho de 2010

Aquele dia!

Ao bater a porta do carro, dizendo adeus, ficou com ele a aliança e toda a sua felicidade, aquela noite vai ser difícil, certamente derramará todas as lágrimas que pode, por algum tempo vai ver a marca branca e de vez enquanto se pegará procurado ela no dedo.
Está frio, e ela não tem mais a blusa enorme dele e muito menos o abraço pra aquecê-la, enquanto assiste TV, tem fome, mas não tem vontade de ir até a cozinha esquentar o leite, pois não tem quem a acompanhe até lá, não tem quem a leve no mercado nem quem tire as compras do carro, a vida parece não ter sentido mais.
Ela terá mais tempo agora, mais tempo pra ler, fazer aquela aula de dança, estudar. Pode viajar, acampar com os amigos, dormir na casa daquela colega, ir para festas... Não vai ter mais aquelas brigas aos domingos para ver onde vão almoçar, agora ela pode usar as saias curtas, conversar com aquele homem que ele não gostava. É, ela consegue se virar sem ele, ela não parou de comer e nem de sair por causa dele, foi ruim nos primeiros dias, mas a vida continua e nem foi tão difícil como ela pensava.
Mas mesmo assim ela preferia não ter nada disso, como ela vai assistir filme sozinha? e nesse frio quem vai esquentá-la? sentirá falta das brincadeiras bobas dele, até da rotina dos dois, falta dos sonhos, das conversas no msn, das mensagens de bom dia e boa noite todos os dias, das ligações no meio da tarde, falta dos olhos dele nos dela, falta dos olhares, falta do ciúme, do beijo, da mão dele em sua cintura, dos abraços gostosos, das tantas noites que passaram juntos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

.. e sem você não sei nem me cuidar!

Lembra das inúmeras cartas que já lhe escrevi? Mas isso já faz algum tempo, isso foi na minha infância, quando eu demonstrava sem medo e sem vergonha nenhuma, todos os meus sentimentos.
Hoje lembrei de você, quando cheguei para almoçar naquela fome, notei que o cheiro da comida estava diferente, me esqueci que hoje era dia de você trabalhar, ao me servir, veio uma vontade tão grande de chorar, um aperto no peito, pois não sei porque, me veio na cabeça a certeza de que um dia eu chegarei em casa e não lhe encontrarei mais, aquela comida diferente me deu um desespero tão grande, uma vontade enorme de te ver, te abraçar e dizer o quanto eu te amo. Me lamentei muito, por tudo que eu te fiz, pelos meus erros, pela minha frieza, nesse instante me deu muito medo, medo de ter visto tarde demais, um remorso de não ter retribuído tudo que você fez e tem feito por mim.
Lembrei de todas as vezes que eu chego para almoçar mal humorada e você sempre me recebe com um beijo e me pergunta se estou com fome, eu mal lhe respondo, as vezes você puxa papo, outras xinga pela minha cara amarrada. Pensei no quanto você é importante pra mim, na falta incalculável que você pode me fazer. Como eu te amo, só em pensar na possibilidade de um dia te perder, eu choro; o coração parece não caber aqui dentro, é uma angustia sem explicação. Eu reconheço todo amor que você tem por mim, e por mais que eu não demonstre, eu te amo mais do que qualquer pessoa nesse mundo.
Lágrimas caem ao me lembrar que você acorda toda noite e vai em meu quarto pra ver se estou coberta, ao me lembrar que quando fico doente, é você que passa as noites em claro comigo, é você que puxa minha orelha e ao mesmo tempo me abraça chorando, me implorando para que eu não faça mais aquilo.
Desculpe se sou quase sempre tão fria, se é só de vez enquando que sento em seu colo lhe abraço e falo que você é a pessoa mais importante pra mim, desculpa pelas minhas caras fechadas, pelo meu mau humor. Se converso pouco, se lhe conto poucas coisas que me acontecem, desculpa por meu mundo ser só meu quarto, como você mesma diz sempre. Mãe, minha vida não é nada sem você, não saberia viver sem seu amor, seu apoio, sua compreensão, sem você eu perco o chão!

Beatriz B.