Eu desejo ...
Hoje tive vontade de me perder.
No caminho de volta pra casa quis me perder dos passos repetidos, dos caminhos iguais, dos rostos semelhantes. Tive vontade de deitar na grama do parque com os braços abertos e esperar que algum raio de Sol ou gota de chuva derramassem em mim alguma transformação, inovação.
Aprender a ter esperanças... talvez?!
Quis me perder de tudo que já senti e do que ainda sentirei. Desfazer laços. Esquecer escrúpulos. Tive vontade de ser alguma máquina qualquer pra passar pelo processo de formatação: basta um enter e pronto - ali está um novo ser, pronto pra outra.
Perder-se de mim talvez não seja a resposta, mas pode ser o caminho para a solução.
Esquecer o que passou, não pensar no que está por vir, não pensar em mais nada além de olhar pro céu e tentar descobrir os desenhos das nuvens. A vida tem certas durezas que nos ajuda a vive-la: ferindo-nos, curando-nos. Esquecer que amores existem. Esquecer que algumas sensações são sentidas apenas uma vez. Deixar de sentir pena dos desperdícios da vida. Voltar a acreditar.
Quando tenho essas vontades de me perder desejo criar asas, levantar voo e parar em qualquer lugar distante daqui, onde ninguém me conheça, onde eu possa recomeçar. Quem sabe é isso que eu precise pra voltar a sentir algumas coisas que me foram furtadas ou precise apenas recuperar a confiança nas pessoas e no que ainda sou capaz de sentir. Não sei.
Na verdade não sei mais o que sinto e se sinto.
Não sei até que ponto não esperar mais nada de ninguém torna-se um bom negócio.
Sei inventar momentos como quando eu era criança: no fim da tarde eles já não existem mais, mas diferente daquela época, hoje, eles me fazem falta no fim do dia e isso me dá ainda mais vontade de me perder de mim.
Me perder, me achar, me perder de novo. Inventar-me, transformar-me, construir-me, renovar-me. Onde está a fonte dos desejos?
"Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem cobertas, sem sentido, sem passados."
Caio Fernando Abreu
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